Retrobits

Olá a todos!!É com muito prazer que trago a vocês a segunda parte da matéria A HISTÓRIA DOS VIDEO GAMES DOMESTICOS, dando assim continuidade á maratona de especiais trará a vocês, toda a história que a indústria dos consoles caseiros tem para contar.Espero que gostem!Obrigado!!

Nilton Santos – Sabat

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A HISTÓRIA DOS VIDEOGAMES DOMÉSTICOS – Parte 2

O FIM DA ERA PONG

Até o ano de 1976, todos os videogames domésticos do mercado eram, a grosso modo, versões do jogo Pong da Atari feitas para rodarem na TV. Normal que o mundo um dia enjoasse e começasse a exigir um pouco mais do mercado, e nesse caso, a mesmice durou uma eternidade!!

Os videogames começaram a ficar de lado, encostados nas estantes ou nos cantos empoeirados das salas enquanto seus donos lotavam os fliperamas da época que eram bem mais atraentes e já possuíam uma variedade um pouco maior de estilos e de jogabilidade, com jogos de Corrida, de tiro, etc.

Era mais do que necessário que os videogames domésticos passassem a ter essa possibilidade de jogatina mais diferenciada, e foi pensando justamente nisso que surgiu o Primeiro Console de 8 bits da história.

É verdade que a Coleco já conseguia levar para dentro das residências uma jogabilidade parecida com a dos arcades com os seus consoles da linha Coleto Telstar, mas era necessário lançar um console novo para cada tipo de jogo uma vez que eles não eram programáveis, e cá entre nós, comprar um console para cada ocasião, haja lugar pra colocar tanta tralha!! Sem contar que eles sempre ficavam ultrapassados em pouquíssimo tempo.

Pensando nisso foi que a Fairchild Semiconductor, empresa americana pioneira no ramo de Circuitos Integrados, lançou em Agosto de 1976 o primeiro videogame da segunda geração de consoles e o primeiro a ser compatível com cartuchos programáveis: o Fairchild Channel F.

O Fairchild Channel foi um console de grande sucesso em seu lançamento. Era um aparelho que possuía capacidade de rodar jogos bem mais complexos do que os jogos dos outros videogames do mercado. Esse potencial era atingido graças ao uso do chip Fairchild F8, de fabricação própria e exclusiva, e bem mais avançado do que os chips utilizados nos videogames lançados anteriormente.
Ainda assim os jogos do Fairchild Channel F tinham uma jogabilidade bastante simples, mas o real diferencial do console estava no fato de ele ser o primeiro console do mundo a utilizar cartuchos programados e vendidos separadamente!
O console foi inventado por um cara chamado Robert Noyce, que logo depois de ter dado a luz ao aparelho e faturado um boa grana, pulou fora da Fairchild para fundar sua própria empresinha: uma tal de Intel.

Provavelmente ele já sabia que seu console não teria uma vida muito longa, pois aproveitando a idéia de cartuchos programáveis, tendo uma base gamística de maior experiência, mais nome e principalmente mais verba disponível no bolso (novinha por sinal), a recém-vendida Atari lançava no mercado no ano seguinte, um console que seria então lembrado como o marco da geração que se apresentava: o Atari 2600.

COMEÇA A CORRIDA PELO OURO

O Atari 2600, aquele videogamesinho preto que está na memória de qualquer um que tenha tido sua infância na década de 80, teve seu verdadeiro início em 1975, quando a Atari começou o projeto de levar seus melhores arcades para dentro das casas: o Projeto Stella (daí o nome de um dos melhores emuladores de Atari para PC : Stella).
A febre por Pong diminuía perceptivelmente, o Channel F vendia bem e a Atari sabia que seu console caseiro não seria lançado a tempo de competir diretamente com ele, mas chegaria no mercado antes da avalanche de consoles similares que com certeza seriam lançados, pois o projeto ainda estava, para os padrões da época, longe de ser concluído. Foi assim que Nolan Bushnell, o até então dono da Atari, procurou a Warner Communications e a vendeu por 28 milhões de dólares com uma única exigência: o Stella deveria ser lançado o mais rápido possível.

E deu tudo certo, para alegria de Nolan: o Stella foi finalizado, rebatizado e finalmente colocado no mercado em Outubro de 1977: era lançado o VCS – Videogame Computer System, que pouco tempo mais tarde viria atender pelo nome de Atari2600.

199 doletas era o que o consumidor tinha que desembolsar para comprar o novo console. As vendas iniciais não foram muito boas, pois o Channel F era bem popular, e o povão ainda tinha aquele pé atrás na hora de comprar um novo console, isso devido á overdose de pong’s dos anos anteriores, e de até mesmo alguns consoles que ainda teimavam em estar no mercado. Passou-se um ano e as vendas não aumentavam, foram vendidos em 1978, pouco mais da metade dos consoles que foram produzidos, a Warner teve que cobrir os prejuízos e Nolan, o fundador da Atari, acabou se desligando definitivamente da empresa. Mal sabia ele que a indústria de games teria uma inesperada reviravolta.

Achando que Videogame era uma moda pasageira, a Fairchield Channel simplesmente abandona o mercado, e decide descontinuar seu console, deixando o peixe para a Atari, que com uma boa campanha de marketing, que visava mostrar que o console podia apresentar muito mais do que cópias de Pong, e mais imaginação e criatividade dos desenvolvedores que agora conseguiam extrair toda a potência do console em seus games, consegue transformar o Atari 2600 no aparelho mais vendido do Natal de 1979. E daí pra frente as vendas só aumentavam, o que levou a empresa a ter um faturamento de 2 bilhões de dólares em 1980, com mais de 8 milhões de unidades vendidas.

Space Invaders, um dos maiores sucessos do Atari2600 Space Invaders, um dos maiores sucessos do Atari2600

Surge a ACTIVISION: a primeira Third-party do mundo!

Com o sucesso, vem o reconhecimento, e com o reconhecimento, vem a grana! Correto?
Não para a Atari! A política da empresa era a de não dar crédito nenhum para quem produziu o game, os nomes dos programadores não apareciam nem nos manuais dos games, e todos os jogos produzidos, best sellers ou não, tinham seu lucro todo destinado apenas a empresa e acabou!

Era uma tática cruel, mas que dava lucro ao mesmo tempo em que gerava insatisfação. Um fato curioso é que muitos programadores começaram a colocar seus nomes escondidos nos games, e estes nomes só apareciam se a pessoa fizesse alguma coisa “especial”, como atingir um certo score, chegar a uma certa fase, e coisas do tipo. Há quem diga que este foi o início dos games de exploração, onde o jogador se sentia obrigado a “explorar” o game em busca destes segredos!

Mas só estas idéias não foram suficientes para acalmar os ânimos dos explorados programadores da empresa. Então alguns deles juntaram suas coisinhas, amarraram sua trouxinha nas costas e saíram da empresa para fundar a sua própria fabrica de jogos. Nasceu assim a Activision.

Activision

Freeway Pitfall

River Raid

A Activision desenvolvia seus próprios games para o Atari, e rapidamente se tornou uma das maiores e mais respeitadas desenvolvedoras de jogos do ocidente.

Atualmente a Activision é a segunda mais rica desenvolvedora de games do ocidente, só perdendo em lucro para a Gigante EA – Eletronic Arts.

Mais consoles á vista: dor de cabeça na hora da escolha!

Até 1982, a Atari só crescia. Seu console estava presente em boa parte das residências dos americanos, e a comercialização do aparelho em outras partes do mundo ia muito bem, obrigado. Mas a empresa já não estava mais sozinha no mercado!
Impulsionadas pelo sucesso da empresa em um mercado taxado de passageiro, outras empresas já haviam decidido lançar e relançar consoles no mercado de modo tentar abocanhar pelo menos uma fatiazinha do lucro que até então, só tinha um destino.

Assim foram lançados alguns novos consoles no mercado:

1978 – Interton VC4000:

Lançado na Alemanha, o Interton VC 4000 atingiu um relativo sucesso no continente europeu. Não chegou a ser comercializado fora da Europa, mas brigou bem com o Atari enquanto tinha jogos.


Foi o primeiro console caseiro a utilizar um STICK ANALÓGICO, uma idéia excelente, porém, fora de sua época, e que só foi reutilizada com sucesso e popularizada muitos anos mais tarde pela Nintendo com seu console Nintendo64.

O controlpad possuía ainda 2 botões de disparo principais e mais um monte de botões secundários que ninguém sabe pra que serviam.

Hyperspace

Super Space

Hyppodrom

Reparem que os games vinham com numeração, e foram lançados 40 titulos para o console! Para ver mais games, clique aqui!!

1978 – Magnavox Odissey 2:

Fabricado pela Magnavox e lançado no mercado pela Philips, o videogame era a evolução do Odissey Pong, ou pelo menos deveria ser.

Odissey 2

Clonezão descarado, a única coisa que realmente o diferenciava do Atari era a presença de um teclado embutido em sua parte frontal! Não chegou a competir diretamente com o Atari ou Intellivision, que será citado mais abaixo, pois o marketing do console foi bem fraco e sua gama de jogos era extremamente precária e escassa. Ainda assim, o console foi lançado no Brasil na década de 80 e fez um sucesso relativamente grande! Tem até fã-clube!
Alguns jogos do Odissey2:

Pick Axe Pete Pocket Billiards Popeye the Saillor

1979 – Fairchild Channel F System 2:

Em 1979, uma empresa chamada Zircon International, estimulada pela falta de concorrência para a Atari no mercado americano, decidiu comprar os direitos do antigo console da Fairchild Semiconductor, e lançar o Fairchild Channel F Sistem 2, que já vinha sendo desenvolvido pela Fairchild Semiconductor, mas que foi cancelado sob alegação de que o mercado não daria retorno financeiro.



O Fairchild Channel F System 2 nada mais era que um Fairchild Channel F mais bonitinho e com poucas alterações, como controles agora destacáveis e saída de som para televisão (o console antigo tinha um auto-falante embutido). O que realmente interessava, a capacidade gráfica, era a mesma do anterior.
Apenas meia dúzia de jogos foram lançados para o console, e ele vendeu tão pouco que foi descontinuado no ano seguinte.

Não citarei jogos deste console, pois eram todos PONG… pra variar!

1981 – Sega Game 1000, ou SG1000 para os íntimos:

Este console não representou ameaça alguma para os líderes de mercado da época, pois tratava-se de uma empresa recém-chegada ao mercado de consoles caseiros, que focou suas atividades no mercado Japonês. O Sg1000 foi um vídeo-game tímido, mas suas evoluções o transformariam em um dos videogames mais amados do público brasileiro que teve sua infância na metade da década de 80: o Master System!

Sega SG1000

Quer saber tudo sobre este console? Ficou curioso de como ele evoluiu até se tornar o grande Master System? Acesse o tópico do nosso amigo Corisco: Corisco’s Retro Review nº1: Tudo sobre o SG1000.

1982 – Coleco Vision:

Cansada de copiar Pong, a Coleco decide decide mudar a fonte e começa a copiar os Arcades da época! Pois é, ColecoVision era o video game de segunda geração da Coleco Industries lançado em agosto de 1982. Ele oferecia os mesmos gráficos, a mesma qualidade, o mesmo estilo de jogo que os arcades da época, pois possuía um hardware mais robusto que o do Atari. Porém, uma sacada interessante é que mesmo ele sendo mais potente e podendo gerar gráficos melhores, ele aceitava cartuchos do Atari, uma espécie de retro-compatibilidade, tal vês a primeira no universo gamístico!


O console possuía possibilidade de expansão de hardware, mas nunca foi eficientemente usada. Foi lançado com 12 títulos, e em fase terminal tinha cerca de 170! Nada mal, durou até 1985.

Repare nos gráficos do console:

Alguns jogos Coleco Vision: graficos melhores que o do Atari

1982 – Arcadia 2001:

Foi um console de jogos produzido pela Emerson Radio Corp. Possuía ao todo 51 jogos, e seus gráficos eram similares aos do Intellivision e do Odyssey. Porém, a concorrência era acirrada, e o mercado já começava a dar sinais de fraqueza não possibilitando que o console fosse muito longe.

Alguns jogos do Arcadia 2001:

Jump Bug

Baseball

Space Atack

1982 – Vectrex:

Um dos mais interessantes e peuliares consoles da época, o Vectrex foi lançado em 1982 pela General Consumer Electric (CGE) que foi adquirido mais tarde pela Milton Bradley Company. O console possuía seu próprio monitor embutido, dispensando o uso de um aparelho de TV, e nele eram gerados gráficos vetoriais (dai o nome Vectrex).

Começou mal, as primeiras unidades vieram com defeito de fabricação: emitiam um ruído pelo alto-falante interno que ao mesmo tempo destruía os tímpanos dos jogadores, interferia nos gráficos gerados na tela. Porém, este defeito só durou até a entrega da próxima remessa de consoles, que veio ja com as devidas correções. Os ouvidos dos jogadores agradeceram!

Vectrex

O monitor era monocromático, e os jogadores apenas tinham a “ilusão de cores” que eram conseguidas por meio de filtros especialmente desenvolvidos com tal finalidade, que eram fixados no monitor do console.

Os gráficos vetoriais do Vectrex são tidos como a pré-história dos gráficos 3D nos consoles domésticos, mas apesar desta feliz ligação, o mercado de videogames declinava abruptamente, e o console não encontru nem forlças nem popularidade suficiente para se manter, saindo do mercado logo no início de 1984.

Hyperchase Auto Race

Pole Position

Armor Atack

Surge o Intellivision 1: o grande concorrente da Atari

Lançado em 1980, foi o primeiro console da Mattel!! Isso mesmo, a mesma Mattel do Hot Wheels & Matchbox, bonecas Barbie e Max Steel, que seus filhos adoram fazer escândalo pra ter mas que ficam encostados dois dias depois. Custava US$300, teve 125 jogos e foi comercializado, acredite se quiser, até 1991!!

Intellivision

O console possuis méritos para durar tanto tempo. Seus programadores possuíam uma visão de mercado mais abrangente que a da Atari, e isso fez com que fossem lançando alguns acessórios muito interessantes, que transformavam o Intellivision em uma central de jogos e etreterimento que o Atari nem sonhava em ser. O que impediu que o console vendesse tanto quanto o Atari foi somente a falta de jogos e de apoio das poucas softhouses do mercado, até então exclusivas da Atari. Mais potente, mais divertido e mais diversificado, isso ele era.

Acessórios:

Intellivision Keyboard Component

Intellivision conectado ao teclado Lançado no natal de 1981, simplesmente Transformava o Intellivision em um item que ganhava muita força no mercado e muito rapidamente: um computador. Tratava-se de um teclado com processador embutido que funcionava em conjunto com o hardware do console, aumentando o seu potencial geral. Possuía 16Kb de RAM própria com possibilidade de expansão. Possuía também gravador de fita K7 para gravação/leitura de dados e áudio, portas de expansão e entrada para impressora. De acordo com notícias encontradas em sites especialisados, poucas unidades foram vendidas, pois o produto era uma verdadeira facada, coisa de U$600 doletas, simplesmente o dobro do preço do console, e a venda era realizada somente pelos correios e diretamente com a Mattel. Caro e sem vender, a Mattel resolveu então encerrar o suporte ao produto, recolhendo os aparelhos vendidos e devolvendo o dinheiro pago por eles (medida tomada para evitar processos), e aqueles poucos usuários que resolveram ainda assim continuar com o aparelho deveriam assinar um termo de acordo isentando a Mattel quanto á tal escolha. Mais tarde foi lançado uma substituto para o acessório, melhor, mais popular e mais barato.

Intellivision Play Cable

Play CableLançado também no natal de 1981, este acessório deixava você jogar via TV a cabo, que já existia nos EUA desde a pré-história por que os americanos são muuuuuuuito melhores!! O acessório era alugado, em parceria com a Mattel, pela companhia local de TV a cabo, era conectado pela entrada do cartucho e possibilitava o assinante baixar jogos por uma central da Mattel pelo cabo da TV. Foi descontinuado em 1983.

Intellivoice

IntellivoiceCriado em 1983 foi o periférico mais inovador na Mattel: um sintetizador de voz que adicionava possibilidades de interação sonora com os games. Era conectado na entrada de cartucho, e os jogos eram conectados direto no sintetizador. Apezar de promissor, o componente foi pouco explorado pela Mattel, não vendeu nada e apenas 13 jogos foram compatíveis com ele. Ainda assim o Intellivoice era o maior diferencial para os outros consoles da época. Foi descontinuado em Agosto de 1983.

Perto do final de 1983, a Mattel lança no mercado americano um Intellivision atualizado, mas com quase todas as suas caractarísticas intáctas: o Intellivision II. Rodava os mesmos jogos do original, possuia controles removíveis, mas utilizava um microprocessador pouco mais forte. Seu preço foi reduzido para U$70 doletas + mais um cupom para trocar por um cartucho Burgertime na faixa!
Se o console era quase o mesmo, dos seus acessórios então não se pode dizer exatamente o mesmo. O console recebeu 2 acessórios principais: o System Changer module e o ECS-Entertainment Computer System.

System Changer module

System Changer ModuleEste módulo causou briga: ele permitia ao IntellivisionII executar jogos do Atari 2600, e graças a ele, a Mattel argumentava em campanhas publicitárias que o Intellivision executava mais jogos que qualquer outro sistema. A Atari que não era boba, ameaçou processar a Mattel, mas não encontrou base legal para sustentar sua acusação.

Entertainment Computer System

IntellivoiceSubstituiu oficialmente o fracassado Keyboard Component. Assim como seu antecessor, o módulo de teclado quando conectado ao IntellivisionII, aumentava a memória do console em até 8MB e adiciona 3 canais de som, portas de fita K7 e porta de impressora. O pacote completo incluia o módulo ECS, um teclado de computador e um teclado musical. Custava apenas U$170 doletas, muito menos que as U$600 do teclado anterior!! O módulo ainda possibilitava a conexão dois controles adicionais, mas nenhum jogo que utilizasse essa opção foi lançado.
Este equipamento foi o maior responsável por manter a coleco viva no mercado por tanto tempo, pois o console funcionava muito bem como um Microcomputador pessoal.

O jogos para o Intellivision I e II, em sua maioria, possuiam versões no Atari2600, mas a diferença de qualidade visual era gritante.
Vejamos alguns jogos do console:

QBertDonkey Kong

Adv Dungeons & DragonsAstrosmash

AtlantisDemmon Atack

Da lama ao caos, do caos á lama

Fato: em 1982 existiam consoles demais no mercado.
A média de vida de um console na época era de aproximadamente 2 anos, porém o videogame de maior sucesso no mundo até então, o Atari, já superava essa marca estando a 5 anos no mercado e tendo um retorno lucrativo, motivo este que fez com que a Atari, mesmo lançando naquele ano um console melhor para substituí-lo, o Atari5200, mantivesse ativa a linha Atari2600 mesmo existindo no mercado concorrentes mais poderosos. O suporte dado pela empresa ao Atari 5200 era cretino, e isso se devia talvês pela arrogância de achar que o Atari 2600 era imortal…
Ainda assim, o mercado estava superlotado: eram vários lançamentos de consoles e games de outras fabricantes, e na sua maioria, os títulos eram ruins, e isso deixou o consumidor confuso com tantas escolhas possíveis.

Atari 5200

E estando á tanto tempo no mercado, a linha de games do Atari começou a ter uma queda brusca de qualidade. São vários os motivos que aparecem para explicar esse triste fato, mas todos eles começam com a declarada guerra que aconteceu entre os setores de programação e o departamento comercial, que de acordo com depoimentos divulgados em documentários e afins, fazia varias opções erradas de mercado que alteravam o padrão de desenvolvimento dos games. Isso minou toda a satisfação que os programadores da Atari tinham em fazer os jogos, fazendo com que as boas idéias deixassem de aparecer.

Em 1983, o mercado começa a definhar. A Atari, motivada pelo sucesso do filme homônimo, lança no mercado o game E.T. Reflexo da total falta de criatividade que assolava a indústria gamística da época, o jogo foi eleito pela imprensa especializada o pior jogo de todos os tempos, e um dos maiores fracassos da história do videogame.
O jogo era tão ruim que a empresa enterrou mais de 5 milhões de cartuchos em um deserto no Novo México, pois a criançada não queria o jogo nem de graça!

A enxurrada de títulos ruins para Atari2600 e a falta de títulos para os outros consoles mais avançados como o Coleco Vision fazem as vendas de software e hardware despencar, enquanto um outro item de mercado avança vertiginosamente abocanhando a grande fatia de mercado que os videogames perdiam: os micro computadores pessoais.

O Fantasma do Computador Pessoal

Liderados pelo MSX, linha de micro computadores pessoais criada no Japão nos anos 80, a indústria do Personal Computer, que outrora era vista como aparelhos para uso comercial e profissional, crescia cada vez mais em popularidade entre os usuários comuns.Philips MSX

Bastante sofisticado para um computador equipado com um microprocessador de 8 bits, quando na época já começavam a surgir os primeiros computadores IBM-PC de 16 bits, o MSX despertou paixões em muitos usuários. Sua arquitetura interna o fazia tecnicamente superior aos seus caros concorrentes da época, e seu baixo custo, em comparação à linha IBM-PC, bem como a possibilidade de usar disquetes e o sistema operacional DOS, fez mlhares de usuários adotarem o MSX, tornando o segmento cada vez mais popular.

E muitos de seus usuários começaram a usá-lo como um videogame de luxo, pois além de um excelente computador para ser usado em diversas finalidades, era grande a quantidade de jogos de qualidade que o computador possuía. Tais jogos eram distribuídos por empresas como as japonesas Konami e Capcom, até então desconhecidas no Ocidente, mas que se aproveitaram da capacidade gráfica e sonora do MSX para produzir jogos muito mais atraentes dos que os encontrados nos videogames da época.

Montagem com alguns grandes títulos de MSX

Paródius e Metal Gear: grandes séries que nasceram no MSX Paródius e Metal Gear: grandes séries que nasceram no MSX

E começa o fim

Esta era a realidade no ano de 1983: O mercado estava lotado de jogos sem qualidade, e a grande maioria deles era para o vídeo-game de maior base de consoles instalada no mundo, o Atari 2600. A cada dia eram lançados mais e mais jogos escrotos, e o gosto do publico em geral ia se degradando com cada um deles.
A Atari passou extremamente rápido de uma situação de lucro absoluto a uma realidade de prejuízos enormes, foi vendida pela Warner para um grupo de empresários após o fracasso que foi o Atari5200, que teve seu lançamento bem antes, em 1982, e que a empresa tentou sem sucesso e no desespero total, transformar em um console lucrativo depois de ter dado uma atenção tão pífia ao console.

Não demorou muito até que todos parassem de comprar videogames. O mundo começou a preferir os computadores, pois eram mais avançados, possuíam jogos muito melhores e mais criativos, estavam financeiramente acessíveis e serviam para muito mais coisas além de jogos.
Era inevitável. A junção dos erros cometidos pela indústria gamística com os acertos da indústria da Informática culminou no processo que terminaria conhecido pelo nome de “O Grande Crash dos videogames de 1984” onde quase todas as plataformas da época, dentre elas o Colecovision, Atari 5200, SG-1000, Vectrex, Intelivision, Odysey e outros, acabaram e foram descontinuados.
Era o fim melancólico da verdadeira segunda geração de consoles domésticos.

Quase o fim de tudo

O baque foi grande. O mercado americano e europeu não levava mais a sério o mercado de videogames, e este quase faliu por completo. A preferência pelos PC’s era maciça, e a maioria das empresas que antes participavam do mercado de games domésticos, ou mudaram suas atividades para outros segmentos, ou simplesmente fecharam. Poucas restaram, como a Activision, que se mantinha muito bem das pernas agora desenvolvendo games para PC.
Mas do outro lado do mundo, bem longe de toda a turbulência do mercado ocidental, começava a aparecer para o mundo uma certa empresa que havia começado suas atividades décadas atrás fabricando baralhos, e que já havia notoriamente crescido a ponto de produzir o Arcade mais popular da época, e que logo seria a responsável por espalhar novamente pelo mundo, a febre dos videogames domésticos.

Este foi o final da segunda geração de consoles domésticos, a geração que viveu uma época de grandes vendas, grandes marcas, grandes jogos e muita satisfação, mas que viveu também ao final de tudo isso, a mais negra das passagens que a história dos consoles domésticos já viu.

Na próxima edição, a ascensão da maior empresa de games do mundo, o renascimento da mágica dos videogames pelas mãos de um gênio sem lâmpada, e o retorno triunfante da 8º arte.

Muito obrigado a todos,
Até a próxima Warpzone!!

 
 

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1 Comentário em “The WarpZone: A História dos Vídeo games Domésticos – Parte 2”

  1. User Gravatar David Perdigão | 04/15/08 - 19:10

    Muito interessante a história dos games,mas faltou falar do ZX SPECTRUM<essa foi a melhor plataforma que j´pa existiu, e até hoje eu uso tanto o originalc quanto os emuladores,,desde já agradeço a atenção..D.Perdigão….

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