
Ano de lançamento: 1993
Console: NES
Fabricante: Capcom
Gênero: Ação/Luta
Número de jogadores: 1

Em 1989, a Capcom lançou para os fliperamas aquele que seria considerado até hoje como um de seus melhores jogos já criados: trata-se de Final Fight, um jogo bem no estilo “Beat-’Em-Up” que logo se tornaria uma verdadeira febre, com jogadores fazendo filas para poder se divertir com o game.
O sucesso foi tanto que o recém lançado console de 16 Bits da Nintendo na época, o Super NES, acabou ganhando uma versão doméstica do jogo pouco tempo depois, e que também obteve grande sucesso apesar de não ser uma conversão perfeita da versão original.
Nesta época o NES já estava quase retirando o seu “time de campo”, mas para felicidade geral da imensa nação que ainda venerava o console, a Capcom ainda apostava suas “fichas” nele, e lançou em 1993 para o NES o jogo Mighty Final Fight, uma versão 8 bits de seu clássico jogo de luta!

Mighty Final Fight não é uma mera conversão do game lançado para os fliperamas, e sim um jogo totalmente novo. A história (a saber: Jessica a filha de Haggar, é sequestrada pela gang Mad Gear, e ele junto com dois amigos partem para resgatá-la) e até a grande maioria dos personagens de ambos os jogos são os mesmos, mas Mighty Final Fight possui grandes diferenças e características únicas.
Os três personagens principais de Final Fight (Haggar, Cody e Guy) se fazem presentes, cada qual possuindo suas habilidades e formas de ataque. O grande diferencial em relação aos personagens de Mighty Final Fight se comparados com suas versões originais, é que no jogo lançado para o NES eles podem ir ganhando experiência a medida que vão derrotando os inimigos, passando de níveis. Desta forma eles passam a ter ataques mais contundentes, aumentam sua barra de energia e podem até dar golpes especiais de acordo com o nível alcançado pelo jogador!
Durante as fases do jogo poderão aparecer alguns barris rolando pela tela. O jogador deve destruir a maior quantidade de barris que puder, pois muitos deles podem guardar itens úteis tais como restauradores de vida, armas e até uma preciosa maçã, que aumenta seu nível automáticamente! Haverá também algumas fases bônus durante o jogo onde a destruição de barris será necessária para que o jogador ganhe itens valiosos.

Um ponto curioso a ser observado em Mighty Final Fight é a presença de diálogos entre os personagens principais e os chefões do jogo. Diferente da versão lançada para os fliperamas e para o Super NES, que tinha um clima totalmente sério, o jogo do NES traz tudo em um clima mais descontraído, e até mesmo engraçado. E os dialógos não poderiam ser mais bem humorados!
É como no caso do primeiro diálogo do jogo, onde o chefão fala que ele é “dono da cidade e tal” e pede ao jogador que se ajoelhe diante dele. O jogo dá duas opções de resposta para o jogador, que pode dizer que obedecerá a “ordem” ou não. Caso o jogador queira brincar um pouco ele pode responder “sim”, e então o chefão dirá que “você parece ser mais forte do que aparenta” e irá então propor que o jogador se una a sua gang. Se o jogador continuar respondendo de forma afirmativa, o malfeitor irá dizer então que não acredita no que o jogador está dizendo, e dirá ainda que o mesmo não passa de um “filhinho de mamãe”, e partirá para a luta! Totalmente hilário!
E este é só o primeiro dos diálogo em tom de “gozação” que o jogo apresenta! Mighty Final Fight de certa forma parece mesmo uma paródia em relação ao jogo original. Se o título do jogo fosse algo como “Parodius Final Fight”, talvez fosse até mais condizente com o que se vê durante o mesmo.
Os gráficos de Mighty Final Fight são excelentes, com cenários bem diversificados e cheios de detalhes interessantes para serem observados. Os personagens do jogo estão no formato SD (super deformed), algo bem ao gosto dos orientais. A animação dos personagens é muito boa e as cores do jogo estão bem de acordo com o clima “alegre” e “descontraído” que Mighty Final Fight possui, e foram muito bem empregadas no jogo.

Os efeitos sonoros estão bacanas, e todos possuem um certo tom mais “infantil”, parecido com os sons que podemos ouvir em alguns desenhos animados. O grande ponto positivo é que nenhum deles chega a ser irritante, a não ser talvez o som que aparece no momento em que os textos do jogo são virtualmente “digitados” na tela. Eu particularmente não o considero irritante, mas acredito que alguns jogadores mais exigentes poderão considerá-lo como tal.
As músicas são ótimas! Cada uma das fases possui seu tema próprio, o que faz com que nenhuma das músicas do jogo se torne cansativa pela repetição exaustiva, algo que ocorre em tantos outros jogos do gênero. Chega a ser difícil destacar um tema pois todos são realmente excelentes! Mighty Final Fight é mais um daqueles jogos dos quais se deve jogar com o volume da TV no máximo!
Os controles são muito bons! Os comandos são bem básicos, e todos podem ser executados com bastante precisão, sem atrasos em relação ao momento em que o jogador aperta um botão e quando a ação ocorre na tela.
Os personagens podem dar sequências de golpes, pular, dar voadoras, agarrar os adversários, joelhadas, balões, etc. Os golpes especiais são executados de forma prática e simples, bastando dar dois toques no botão direcional para o lado em que o jogador quiser que o golpe seja direcionado e apertar o botão de ataque.
Há ainda o “clássico” golpe especial que custa pontos de energia, mas que é bastante prático para momentos em que os inimigos te cercam. Mighty Final Fight tem o mérito de trazer todos os comandos da versão original e ainda conseguir inovar, com golpes e movimentos exclusivos!

A dificuldade de Mighty Final Fight é crescente, com as fases ficando mais difíceis a medida em que se prossegue no jogo. Alguns inimigos comuns de fase podem ser bem enjoados para serem vencidos e alguns possuem ataques difíceis de serem desviados ou impedidos. Até mesmo os “Andores” presentes nesta versão são bem fortes e complicados de serem “encarados”.
Os chefes já não chegam a dar tanto trabalho, desde que o jogador procure antes observar a forma de ataque que cada um deles possui e saiba contra-atacar no momento certo. Contra os chefões a maior arma será as voadoras, que apesar de menos contundentes que outros golpes, garantem que o jogador possa atacar de maneira mais segura, sem correr risco de ser contra-atacado. Outro golpe bom para ser usado contra os chefes é o golpe especial do personagem Cody, mas deve-se tomar cuidado para não demorar muito para lançar o golpe e acabar apanhando ao invés de bater.
Mighty Final Fight é um ótimo jogo de luta, e para muitos, o melhor do gênero lançado para o NES. Um jogo divertido, desafiador e altamente viciante! Foi uma prova definitiva de que, caso a Nintendo continuasse a produzir seu console de 8 Bits até os dias de hoje, o mesmo poderia receber jogos cada vez mais interessantes, pois em termos técnicos o NES ainda tinha muita lenha para queimar!
Mas tudo tem seu tempo, e mesmo que hoje o NES não seja mais fabricado e nem novos jogos sejam lançados (oficialmente) para o console, nada impede que alguém possa pegar um emulador pela net e uma boa rom, e matar a saudade deste sistema lendário, e se divertir muito, ainda mais se a rom for do clássico Mighty Final Fight!
Análise escrita por: André Breder Rodrigues