Retrobits

Houve um tempo em que o personagem principal do jogo era quase tão importante quanto o jogo em si, afinal, o marketing do game não podia ser focado em engines surpreendentes, efeitos alucinantes e tal. As empresas de games se esforçavam em criar protagonistas marcantes ou emprestavam o carisma de personagens já consagrados.

Os personagens Disney eram uma boa opção, garantia de venda e de jogos bem produzidos. O pato Donald é o personagem de Lucky Dime Caper Starring The Donald Duck e vamos ver um pouco por que o pato, com todos seus defeitos, tem tanto Magnetismo.

Carl Barks

Pato Donald e o Homem dos Patos

O rabugento Donald foi criado pelos Estúdios Disney em 1934 e fez sua estréia no desenho animado A Galinha Sábia (The Wise Little Hen), uma história baseada em uma fábula de Esopo. Foi incluído pouco depois em um novo curta-metragem: The Band Concert. Nos quadrinhos, a versão quadrinizada de A Galinha Sábia foi lançada em 16 de setembro de 1934.

A partir de então Donald era presença constante nas histórias de Mickey, sempre em papéis secundários, até que em 30 de agosto de 1936 ganhou sua própria série de tiras, chamada A Silly Symphony Featuring Donald Duck. Pouco depois, Donald ganhou uma namorada, Margarida, e em 17 de outubro de 1937 surgiriam os sobrinhos, Huguinho, Zezinho e Luizinho.

O trio de amigos (o amável Mickey, o atrapalhado Pateta e o impaciente Donald) estrelou momentos cômicos que se tornaram clássicos e referência na animação, com suas gags corporais que se complementavam. Mickey era a estrela de Disney, mas Pato Donald sempre foi um coadjuvante de peso. Mais do que mera escada para o camundongo, Donald tinha potencial, brilho próprio.

Em sua carreira de ilustrador e roteirista, de 1942 a 1966, o saudoso Carl Barks (1901-2000) aprofundou-se no estudo do ser humano através dos gibis do Pato Donald, que era uma matéria-prima formidável para o talentoso artista. Nos desenhos animados o pato era esquentadinho e tinha grande parte de seu sucesso garantido pela voz ininteligível, no papel a coisa era diferente. Barks decidiu dar ao pato personalidade, capacidade de discurso e emoções mais definidas.

Ele também soube lapidar o “Mundo dos Patos”, acrescentando novas temáticas e personagens e atingindo outro patamar de excelência, com momentos antológicos e mordazes sátiras ao comportamento das pessoas. Pode-se dizer que ele humanizou e reinventou o Pato. E o alçou ao estrelato.

Nos textos inteligentes de Barks, o pato possuía personalidade, defeitos e atitudes mais humanas, com roteiros mais profundos e próximos da realidade cotidiana. Donald de Barks é ranzinza, invocado, impaciente, teimoso, passa maus bocados na mão da namorada, que frequentemente o esnoba e, principalmente, um azarado, vítima das circunstâncias. Apesar disso, sabe ser generoso, é fiel e confiável, sempre ajuda a tirar o Tio muquirana de dificuldades, arruma novo emprego em que será demitido e se esforça em garantir a educação de seus sobrinhos. Em seus roteiros criticava de modo divertido e inteligente o consumismo, a vaidade, a futilidade e diversos aspectos da sociedade.

Barks também se divertia inserindo sua assinatura em detalhes (como rótulos de potes nos armários) em trocadilhos bem humorados, para verificar se passaria despercebida pelos editores, já que o artista era proibido de assinar sua produção. Seu nome como autor das histórias só foi reconhecido no início da década de 70. A Companhia Disney chegou a tentar proibir a comercialização dos quadros que Barks produzia em sua aposentadoria, mas recuou. E, em 1991, concedeu a Barks o exclusivíssimo prêmio “Disney Legends”.

Neste ano Donald estava em alta. Saía para Mega Drive o ótimo Quack Shot. Também em 1991 era lançado para Master System o jogo The Lucky Dime Caper. São jogos completamente distintos, embora ambos de ótima qualidade.

Não foram os primeiros jogos em que o pato apareceu, nem os últimos. Mas em nenhum outro momento o Pato voltou a estrelar games tão marcantes nas plataformas para as quais foram lançados. Dificilmente alguém que tenha um Master ou um Mega não terá jogado um desses dois jogos muitas e muitas horas.

Nesse review vamos tratar do jogo do Master. A versão Game Gear possui algumas características diferentes.

O jogo

Lucky Dime Caper Starring The Donald Duck

Produtores: The Walt Disney C. / Sega
Lançamento: 1991
Gênero: Jump’n'run
Plataforma: Sega Master System

Clique aqui para visualizar a abertura do jogo.

Ou aqui para apenas ouvir a MID com a música da abertura

O Tio Patinhas (criação de Barks), num gesto de extremada e inusitada generosidade, dá a seus sobrinhos uma moeda de 10 centavos para cada. Explica aos patinhos que sua fortuna iniciou com uma única moedinha a “número um”, seu grande talismã da sorte. E que essas moedas podem lhes trazer sorte também, depende de seu esforço.

A terrível Maga Patalógica espia tudo, tramando alguma artimanha. Na primeira oportunidade seqüestra os três patinhos e de quebra rouba a preciosa moedinha número um. Resta a Donald a incumbência de resgatar seus sobrinhos e recuperar a moedinha do tio Patinhas, que lhe oferece uma recompensa. No final do jogo Donald ficará surpreso com a “tal recompensa”.

A jogabilidade é simples e não possui nada de revolucionário ou muito criativo. Está calcado no capricho técnico, no carisma dos patos e na qualidade da animação de Donald. O pato conta com duas armas para enfrentar todos os perigos que o aguardam: o disco ou o martelo. Essas armas podem ser coletadas durante as fases, mas o pato só usa uma ou outra e, ao ser atingido, fica desarmado até coletar uma arma novamente.




É possível escolher qual das 3 fases iniciais jogar primeiro. Cada uma delas permite resgatar um dos sobrinhos. No início não há muita dificuldade. As imagens têm cores bem escolhidas e bastante detalhes para um game de 8bits. Os chefes das fases são animais da floresta e estátuas enfeitiçadas, que protegem o local que mantém os sobrinhos prisioneiros.

MIDs

Estágio 1 – Árvores do Norte
Estágio 2 – Floresta Americana
Estágio 3 – Montanhas dos Andes

Depois de libertados os patinhos, Donald parte à busca das três moedinhas presenteadas pelo tio patinhas. Terá que enfrentar cada uma das três aves sequestradoras. Novamente é possível escolher quais das três fases jogar primeiro. Donald enfrentará o calor sufocante da lava, atravessará armadilhas de areia no deserto, adentrará numa pirâmide e enfrentará o frio congelante sem desistir. A qualidade da animação se percebe quando Donald sente o calor escaldante ou treme de frio na fase gelada.

Essas fases apresentam bastantes desafios e já convém avançar com cuidado, pois há muitas armadilhas preparadas. Por exemplo, na fase gelada, observe sempre a direção do vento, que muda a todo instante, e evite pular abismos contra o vento. Logo Donald terá as três moedinhas de volta e só faltará a número um, que está no castelo da terrível Maga Patológica!

MIDs

Estágio 4 – Ilha Tropical
Estágio 5 – Pirâmides
Estágio 6 – Pólo Sul

No Covil da Maga Patológica, o perigo vem de todos os lados. Os garfos arremessam-se contra Donald, há espinhos, fantasmas, caveiras e diversos obstáculos enfeitiçados pelos sortilégios da maga. Avance com cuidado e não terá muitos problemas. Ao enfrentar a Maga Patológica, concentre seus ataques na bola de cristal. Ela não durará muito.

MIDs

Estágio 7 – Castelo da Maga
Tema de chefe de fase

De volta à casa, com a missão bem sucedida, só resta aguardar a recompensa… Vinda do Tio Patinhas não se pode esperar muita coisa…

MID

Música final



Referências

http://hq.cosmo.com.br/
www.screamyell.com.br/literatura/barks.html
http://www.gamespot.com/
http://www.vgmusic.com/

 
 

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6 Comentários em “Lucky Dime Caper Starring The Donald Duck (1991 – O pato em alta)”

  1. User Gravatar André Breder | 02/3/08 - 21:06

    Lucky Dime Caper do Master… pô, joguei muito este jogo, e estou precisando ter tempo para jogá-lo novamente, pois o jogo é muito divertido!

    Como é a análise de estréia do Edinei no site, quero dizer a ele que seja muito bem vindo a equipe do Retrobits! Já faz um tempo que venho lendo suas análises no fórum, todas muito bem escritas, e fico feliz que agora você também possa colocá-las diretamente no site! Que a Força esteja conosco!

  2. User Gravatar Nigazallucard | 02/4/08 - 16:23

    Cara, cairam lagrimas aqui.. eu A.M.O o donald, sempre amei esse pato.
    Não joguei o lucky dime, pois nao tive mastersystem na época, porem quase todos os outros pra outros sistemas eu joguei e irei re-jogar.

    Nossa cara, valeu mesmo pelo momento Carl Barks, um verdadeiro genio.Tento colecionar as historias escritas por ele mas ta dificil.. saiu uma coletanea de suas estorias, porem muito cara…:(
    To vendo se consigo achar em PDF ou similar.
    No mais otima analise pra variar, e parabens!
    OFF:
    Genialidade pura do Carl sao aquelas histórias escritas para ducktales nos quadrinhos, e algumas adptadas para serie de tv depois.. nossa muito lindo mesmo…ai saudades da infancia…. :(

  3. User Gravatar UNABOMBER | 02/4/08 - 20:04

    Fala Edinei! :D

    E aí, cara! Fico duplamente feliz em saber que estreiou aqui no Retrobits: uma por poder continuar escrevendo suas excelente análises, outra pelo pessoal daqui ter acesso e dar valor ao material. Ótima combinação e espero que dure o tempo que puder.

    Sobre o Lucky Dime Caper, realmente está acontecendo muita coindicência entre as análises que vejo aqui e os retrogames de Master que andei comprando esse mês. Primeiro foi o Kenseiden [excelente] e agora Lucky Dime Caper [grande jogo]. Só falta o Castle Of Illusion ser o próximo porque, se for, eu vou na lotérica e jogo na Sena na mesma hora, hehehehehehehehe…

    Na minha opinião, ao contrário do que muitos pensam, não acho que Dime Caper é uma ‘versão dos pobres’ do Quackshot do Mega Drive (lembra quando a gente discutiu isso na postagem original?), mas sim um ótimo jogo do Donald pro Master: tem estilo único e é muito feito, assim como Castle Of Illusion [que aliás, eu prefiro a versão do 8 bits mesmo, acho mais simpática].

    Um dos melhores jogos do Master, sem pestanejar.

    Continue por aqui e um grande abraço! Valeu! ;)

  4. User Gravatar André Breder | 02/4/08 - 21:22

    UNABOMBER, já foi feita uma análise do Castle of Illusion (Master System) tempos atrás:

    http://www.retrobits.com.br/site/2007/10/17/castle-of-illusion-a-primeira-aventura-de-mickey-no-master-system/

    Acho que a coincidência vai parar por aqui… hehehehehhe…

    E falando em jogo com o Mickey no Master System, em breve estarei colocando aqui no Retrobits uma análise que fiz do jogo Land of Illusion, que também é um jogo excelente (na minha opinião até melhor que o Castle of Illusion)!

  5. User Gravatar edineilopes | 02/5/08 - 9:34

    Valeu, André Breder , Nigazallucard e UNABOMBER!

    Sou fã de Carl Barks, comprei alguns números da coletânia, mas o preço me afastou também. Caríssimo e meio fraco o acabamento. Há comentários e matérias entre algumas histórias que valem a pena ler. Algumas histórias dependem do contexto da época e os textos esclarecem muita coisa que passa batida na hora de lermos o gibi.

    Também acho Luck Dime genial, e mesmo sendo de um 8bits é um senhor jogo para a época! Jogabilidade excelente e foi bem melhor criar um jogo “novo” que só adaptar do Quack Shot. Aproveitou melhor o Master e fugiu de comparações diretas. Concordo com o UNABOMBER, apesar da grande inveja que tinha dos gráficos do Quack Shot, hehehe.

    O Land também acho melhor que o Castle, tanto em jogabilidade quanto em gráficos. Por questão sentimental ainda prefiro o Castle, que também acho que possui músicas melhores.

    —————————————

    Então, UNABOMBER. Já tem análise do André de Castle of Illusion, hehehe.
    Boa sorte na Sena!

    Vou postar do Castle aqueles mapinhas que fiz das fases. :)

  6. User Gravatar Grandpa | 02/7/08 - 10:11

    Boa, Edinei !

    Lucky Dime Caper é um ótimo jogo para o Master System.
    Estava ouvindo as musiquinhas e reconheci logo a da fase dos Andes (estágio 3). Ouvi muito ela. Devo ter perdido bastante tempo nessa fase :)

    Por falar nas músicas, o link para a música do estágio 1 não está funcionando.

    Quanto a comparação Quackshot x Lucky Dime Caper, que o Unabomber ressuscitou, o Lucky Dime Caper surgiu justamente da impossibilidade de uma versão decente de Quackshot para o console de 8 bits. Foi melhor assim. Ao invés de uma versão fraca de um ótimo jogo do Mega Drive, tivemos um belo jogo original para o Master System.

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