Confira uma divertida entrevista com a banda 8 Bit Instrumental!
Autor: André Breder - 28/03/08 à 20:53 - 15 Comentários
Tudo começou quando os guitarristas, André e Rodrigo, se conheceram e, em conversas pelos corredores da universidade, descobriram o gosto por composições musicais para video games, principalmente os que fazem parte de suas vidas desde a infância. Rodrigo já tinha mais experiência na área. Tocava vários temas e já tinha gravado vários de seus arranjos de jogos como Contra, Super Mario Bros, Street Fighter II, Altered Beast entre outros. Os irmãos André, Moisés Filho e Luciano, já haviam tocado alguns temas também, mas nada ainda tão sério. Porém, ambos tinham um desejo em comum que ainda não tinham realizado: montar uma banda que tocasse as músicas dos jogos que marcaram suas infâncias e adolescências. Começava assim a história do grupo 8 Bit Instrumental, que em pouco tempo já se tornou uma banda famosa e com seu belo trabalho reconhecido no meio da Video Game Music. Confira abaixo uma entrevista que fiz com o grupo, onde os músicos falam mais sobre a banda e os seus projetos para o futuro:
Quando exatamente o grupo 8 Bit Instrumental começou?
A idéia começou em meados de 2005 quando a gente se descobriu na faculdade. Ali já trocamos uma idéia e rápido já estávamos tocando um arranjo de Super Mario Bros pra 2 violões que o Rodrigo montou. Depois disso ficamos enrolando até 1 ano depois. Quando surgiu uma oportunidade pro 8 Bit (ainda sem o “Instrumental”) se apresentar começamos a banda toda ensaiar.
A banda tem a mesma formação desde o seu início, ou houve mudanças de membros?
Dôsulivre! Mudar formação!?!? Se alguém sair acaba a banda! (risos)
Já é difícil montar uma banda comum, quando mais uma banda de video game music. Quem já tentou sabe do que estamos falando. Às vezes as pessoas confundem a banda com o 8 Bit Plus Edition, que foi um projeto à parte que fizemos convidando vários amigos do curso de música lá da UFU pra fazer uma apresentação especial. É um projeto que queremos repetir quando for possível. Mas desde o início somos os mesmos 4.
No Brasil já faz algum tempo que temos o grupo MegaDriver, que faz regravações de trilhas sonoras de games clássicos, deixando todos os temas gravados por eles dentro do gênero Heavy Metal. Já vocês não possuem um estilo definido, indo do Rock ao Baião sem o menor problema. A diversidade de estilos musicais sempre foi um dos objetivos do grupo, ou isto surgiu de maneira natural?
Pra falar de objetivos, preferimos dizer que no princípio era nos divertir tocando video game music e, posteriormente veio a necessidade/vontade de levar isso até as pessoas por meio das apresentações. Os arranjos é uma questão que sempre discutimos. A cada arranjo surgem novas propostas. É tudo muito espontâneo e tentamos abusar da liberdade para cria-los. Inicialmente eram feitos em conjunto e nos ensaios, o que deixava o processo muito lento. Além disso, muitas vezes o resultado não era tão satisfatório. Acreditamos também que muitas coisas são experimentais. Vamos muito pelo que o tema ou a própria música como um todo sugere. Restringir toda a linguagem musical das composições para jogos a um estilo musical seria um sacrilégio, pois há temas que são naturalmente leves, como, por exemplo, o tema Green Hill Zone, do Sonic. O tema é naturalmente leve e até sugere uma atmosfera mais… vamos dizer… “feliz”. A introdução de Chronno Cross é outra na qual tudo soa muito leve e a própria instrumentação e a composição da música já foram feitas sugerindo certo tipo de atmosfera, um clima sonoro. Ou então podemos fazer o inverso e alterar o clima de uma música para o inverso do original. Estamos cada vez experimentando mais, como no último álbum. Há muita coisa eletrônica e até arriscamos algo meio chiptunes, algo que nunca tínhamos pensando em ser feito no inicio do grupo.
Desde o final dos anos 90 bandas gringas como Minibosses e NESkimos tem feito um trabalho semelhante ao de vocês, só que eles começaram bem antes do 8 Bit Instrumental surgir no cenário da Videogame Music. Vocês chegaram a conhecer o trabalho destas bandas antes de montarem o 8 Bit Instrumental? Se sim, elas tiveram alguma influência no trabalho de vocês?
Rodrigo “Cheba”: Tocar músicas compostas para jogos sempre foi um anseio de todos da banda. Alguns dos integrantes já faziam isso há muito tempo, só que não fizeram um site pra ficar colocando os arranjos iniciais, pois já existe muita coisa de pouca qualidade pela internet. No primeiro estágio era necessário formar/ experimentar e desenvolver os métodos de gravação até alcançarem um nível “aceitável”, digamos. Pra falar a verdade acho que nenhum de nós gosta dessas primeiras bandas que surgiram e nem escutamos muito.
André, Moisés, Luciano: Nós não conhecíamos essas bandas. Sequer pesquisávamos a respeito antes de pensar no 8 Bit Instrumental. Tínhamos grandes recordações dos temas de jogos pra Atari, Super Nintendo e Mega Drive. Era só o que tínhamos em mãos. Um amigo do Rio de Janeiro em uma visita comentou com a gente sobre o Megadriver. Foi aí que começamos procurar a respeito e descobrimos um universo enorme de projetos existentes e de possibilidades. Isso foi por volta de 2004. Mas só depois de montar a banda começamos a nos inteirar mais do assunto. Então outros projetos não exerceram tantas influências na nossa concepção musical, mas influenciaram no modo de enxergarmos o cenário.
O primeiro trabalho de vocês recebeu o nome de “The Song Remains the Game”, uma clara brincadeira com o nome de um dos mais famosos álbuns da banda inglesa Led Zeppelin, neste caso o disco “The Song Remains the Same”. Todos na banda curtem Led Zeppelin?
Gostamos. Não “amamos religiosamente”… (risos). Mas quem nunca tocou “Stairway To Heaven”? Não há como não gostar de Led Zeppelin. O nome foi algo quase intuitivo que surgiu do Cheba e deu muito certo por seus diversos sentidos. Primeiro pela importância histórica do álbum do Led, um marco sendo um dos primeiros álbuns lançados no estilo, o que foi algo parecido com o nosso primeiro álbum em nosso trajeto, mas que em proporções bem reduzidas, claro. Outro sentido é o de a música lembrar o jogo e vice-versa. Essa brincadeira com nomes acabou norteando a sugestão do nome “Altered Bit”, nosso segundo trabalho, que foi uma brincadeira com o clássico da Sega, Altered Beast.
Quais bandas ou músicos serviram de influência para a sonoridade do 8 Bit Instrumental?
Difícil citar nomes. Se pudéssemos fazer uma seleção dos mais ouvidos a cada 6 meses já daria uma lista enorme. Mais fácil falar em estilos. Rock, jazz, funk, música “erudita” européia, MPB, blues, baião, samba, música eletrônica, chiptunes… Ok, não é tão fácil assim também…
Dentre tantas regravações de temas de videogame feitos até agora por vocês, quais são os preferidos pela banda?
Rodrigo “Cheba”: Nossa! Isso é impossível dizer. Eu adoro os temas de Wild Guns, apesar poucas pessoas conhecerem.
André: Particularmente gosto mais do resultado do último álbum com a trilha sonora de Mega Man 2. Mudamos a forma de fazer os arranjos e acho que começamos a acertar mais a mão. Também gosto do 8 Bit Plus Edition.
E quais são os games preferidos de vocês?
Cronologicamente:
Dos super antigos – HERO, Enduro, Frostbit, Pitfall, Jungle Hunt, Space Invaders, Q-Bert, Adventure, Bobby Go Home e Combat.
Geração 8-bits – Ninja Gaiden 3 , Double Dragon 2 , Contra , Shadow of the Ninja, The Legend of Zelda, Gauntlet, Metroid, Excite Bike , Mega Man 2 , Super Mario Bros. 3, Kabuki Quantum Fighter, Alex Kidd in Miracle World, Shinobi, Alex in Shinobi World, California Games e Ys.
Geração 16-bits – The Legend of Zelda a Link to the Past, Super Street Fighter II, Super Metroid, Contra III, the Alien Wars, Blackthorne, Chronno Trigger, Top Gear 2, Sonic 3, Contra Hard Corps, Gunstar Heroes, Ghouls ’n Ghosts, Power Rangers, Phalanx, Donkey Kong, Earthworm Jim, Mega Man 7, Mega Man X, Prince of Persia, Harley’s Humongous Adventure, Pit Fighter, Mortal Kombat, International Superstar Soccer, Kirby’s Avalanche, Aero Fighter, Killer Instinct, Tale Spin, Hyper V-Ball, NBA Jam, Mario Kart (e toda a série Super Mario), Castle of Illusion Starring Mickey Mouse, Run Saber, Kid Klown in Crazy Chase, Art of Fighter, The King of Fighters, The King of Dragons, Streets of Rage, Phantom 2040, Alien 3, Super Turrican, Final Fight, Bomberman… Chega… Vamos marcar um dia pra uma jogatina que é mais fácil… (risos)
Geração 32-bits até hoje: GTA, Driver, Chronno Cross, Final Fantasy VII, The legend of Man, Silent Hill, Gears of War, The Witcher, Tony Hawk Pro Skaters 2, Castlevania Symphony of the Night, Mario Kart 64, 007 Goldeneye 64, Diddy Kong Racing, Zelda Ocarina of Time, Winning Eleven (não dá pra negar… ahauhauha…), , Soul Reaver, Tomb Raider, etc…
(E para complicar ainda mais) quais são os consoles preferidos de cada um?
Rodrigo “Cheba”: NES
André: Snes, Mega Drive e Atari (na seqüência).
Luciano: Snes.
Moisés: Snes.
Em 2007 você participaram do Video Games Live. Como foi para vocês a oportunidade de participar deste importante evento da Videogame Music mundial?
Muito importante para o crescimento da banda e uma realização pessoal indescritível. Estar nos bastidores, acompanhar a organização, conhecer o Martin, Tommy e Jack Wall foi algo meio insólito.
André, Moisés e Luciano: Um dos primeiros vídeos que nos motivou a tocar músicas de games foi o do Martin Leung tocando vendado os temas da série Super Mario há 3 anos atrás. Imaginem como foi pra nós participarmos de um evento junto com ele…
Rodrigo “Cheba”: Nossa! Desde que o VGL foi criado eu tenho acompanhado pela internet. Quando vieram ao Brasil pela primeira vez eu não pude ir. Quando Tommy respondeu nosso contato eu não acreditei! Liguei para o pessoal da banda na mesma hora!
André: Eu estava jantando. Ele me ligou e disse “Ow, vai lá no MSN”. Respondi “guentaí que eu já vou”, e ele “NÃO OW! AGORA!”. (risos)
Rodrigo “Cheba”: Na verdade a gente não acreditava até estarmos realmente no palco. Acho que não acredito até agora… Ainda bem que foi tudo filmado. Pra mim foi uma experiência única na vida.
Quais temas são os que mais empolgam a galera que vai assistir as apresentações do 8 Bit Instrumental?
Sem titubear: Super Mario. Eu nunca tinha visto um público acompanhando uma música instrumental em coro da forma que vi na última apresentação. Foi emocionante ver que a importância dessa cultura não está somente na banda, mas em quem vai assistir. Street Fighter também foi um jogo muito forte no Brasil. Sonic na seqüência.
Todas as músicas gravadas por vocês podem ser baixadas de graça diretamente do site oficial do grupo. Há alguma estimativa da quantidade de downloads que foram feitos até hoje?
A média hoje está por volta de 600 a 700 MB de tráfego diários em nosso site. Não dá pra precisar ao certo. Do início da banda até agora tivemos melhoras significativas quanto a isso. No início estávamos apenas com o MySpace e tínhamos muito menos plays diários do que hoje, que temos cerca de 80 visitas por dia. Depois do concurso pra nova capa e do lançamento do álbum as estatísticas subiram. Outro contador que teve avanço é o Lastfm, onde as músicas estão também disponíveis para download. Também estamos no VGMix e a nossa versão de Top Gear está em um dos maiores portais de músicas de video game, o OCRemix, o que também deu uma impulsionada na banda. Então não dá pra falar em números certos ainda. Junto a isso se somam as músicas que enviamos por e-mail, os servidores P2P, etc.
Como se dá a escolha das músicas a serem gravadas por vocês? O que pesa mais é o gosto pessoal da banda ou o pedido dos fãs?
Inicialmente não estávamos muito preocupados em atender ao gosto do público e fizemos muita coisa pra nos agradar. Vide “Altered Bit”, por exemplo. Nunca chegamos a tocar ao vivo o tema de Maximum Carnage. Passou a ser preocupação nossa sempre colocar algo mais “Lado B”, como o Campeonato Brasileiro 96’ do primeiro álbum, Wild Guns no segundo e Phalanx no próximo. Temos a nossa personalidade enquanto banda, mas apesar de o gosto da banda em primeiro lugar, atualmente estamos dando mais atenção aos pedidos. Como Streets of Rage, por exemplo. Não estava cotada para o próximo álbum, mas tem muita gente pedindo.Outros títulos que gravaremos são Super Metroid e Chrono Trigger.
Vocês recentemente gravaram um álbum apenas com temas do clássico Mega Man II do NES. No futuro vocês pretendem fazer algo semelhante, lançando um álbum inteiramente dedicado a apenas um game específico?
Mega Man II tem uma “alma”. Esse jogo é magnífico! Achamos difícil acontecer novamente. Não podemos prever muita coisa, assim como também não prevíamos o lançamento desse álbum. Simplesmente aconteceu.
Rodrigo “Cheba”: Após iniciar a gravação comecei a pesquisar e descobri pelo menos 3 projetos que relançaram a trilha sonora na íntegra, sem contar com medleys de muitas bandas de video game music.
André: Quando se trata desses títulos que foram sucesso em praticamente todos os aspectos do jogo, de trilha sonora a jogabilidade, dá pra achar muito projeto que já foi realizado dessa forma, como Super Metroid, Chronno Trigger, Super Mario e Final Fantasy. Talvez por isso nossa preocupação em sempre colocar algo inesperado. Pessoas que ouviram nossa versão de Wild Guns procuraram o jogo e gostaram bastante. Isso é legal.
Quais jogos vocês ainda não gravaram temas, mas que estão na lista para futuras gravações?
Alex Kidd In Miracle World, Golden Axe, Ghouls And Ghosts, Comix Zone, Zelda, Metroid 3 , Castlevania , Ninja Gaiden , Double Dragon , Donkey Kong , Chronno Trigger , Killer Instinct e Phalanx.
Até o momento todos os temas gravados por vocês são de jogos mais clássicos, vindo de consoles que estão, em sua maioria, fora do mercado há alguns anos, mas que continuam vivos no coração dos gamers mais saudosistas ou que ainda são jogados pela comunidade imensa de retrogamers existente não só no Brasil como em todo o mundo. Mas mesmo assim, a banda tem alguma intenção de gravar algum tema de algum console, digamos, mais recente um dia?
Inicialmente a não era tocar nada muito recente. Poderíamos atingir uma parcela maior de público do que nos restringindo apenas aos retrogamers. O StepMania (D.D.R) já é parte integrante das nossas apresentações. No primeiro teste que fizemos o pessoal jogou enquanto tocávamos o tema ( veja o vídeo no YOutube). Na última apresentação não tocamos, mas o jogo rolou durante todo o intervalo. Então não sofremos de problemas ideológicos quanto a isso. O foco é a nostalgia mas nada impede de executarmos algo que julgamos legal. Provavelmente o próximo show vai contar com uma outra novidade que estamos discutindo já há um tempo.
Rodrigo “Cheba”: Em meu projeto paralelo intitulado Cult Gaming (http://www.myspace.com/cultgaming
André: É o típico fanfarrão traidor do movimento! (risos)
Fica aqui um espaço para as considerações finais da banda!
Muita gente nos adiciona por MSN, ou trocam idéia via orkut, ou até mesmo por e-mail e pela área de contatos da banda. Isso é ótimo. Sempre estamos trocando idéia a respeito do trabalho. Sintam-se à vontade para comentários e tudo o mais.Algo que começamos a reparar, é que muitos músicos comentam da vontade de fazer algo parecido. Se precisarem de alguém pra incentivar, estamos a postos. Recebemos dezenas e dezenas de pedidos de músicas nos shows e via internet. Não dá pra atender a todos. Por fim estamos sugerindo que as pessoas façam também seus arranjos. Faz um tempo que estamos em contato com o Abreu, do Abreu Project, de Belo Horizonte, pra fazermos algo juntos. Sempre trocamos idéia com o Nino, do MegaDriver, que começou seu trabalho já há muito tempo, e com outros músicos que começamos a encontrar pela internet. Sentimos que o cenário está crescendo por aqui. Ainda soa meio novo pra maioria das pessoas, mas estamos animados com o que tem acontecido.
Muito obrigado ao Retrobits pelo espaço e pela oportunidade e parabéns pelo trabalho que vêm desempenhando (e que já acompanhamos há um tempo). As novidades ficarão guardadas e espero que todos gostem do que está por vir. Nos anima saber que podemos contar com a ajuda de vocês (e de outros amigos que fizemos em nossa caminhada) pra fomentar o cenário gamer e fazer essas novidades chegarem até o público.
Maiores informações
Para maiores informações sobre o 8 Bit Instrumental, visite o site oficial do grupo.
Entrevista elaborada e conduzida por: André Breder Rodrigues