Especial Doom – Parte 2: O primeiro game da série vem a luz.
Autor: lipe_vasconcelos - 4/08/08 à 22:05 - 10 ComentáriosEm 1993, Doom chega aos computadores
Na primeira parte deste especial, fomos introduzidos ao mundo que Romero e Carmack estavam prestes a criar. Vimos às inspirações, as motivações e como poderia ter sido o enredo de Doom.
Agora, nesta segunda parte, você vai conhecer o primeiro game da série lançado no final de 1993. Vai descobrir o que Doom trouxe de novo e o legado que o primeiro game da série deixou nos anos seguintes.
Doom e seu enredo original
Marine é considerado o fuzileiro mais durão do exército americano. Três anos atrás, Marine atirou em um oficial por ter recusado a matar civis. Depois disso, Marine foi mandado para uma laboratório de pesquisas em Marte. Nesse laboratório, os cientistas trabalham com um projeto de portais de teletransporte. Seus testes são feitos através de outros dois laboratórios localizados nas duas luas de Marte: Phobos e Deimos.
Tudo corria bem nos testes, até que um dia algo saiu terrivelmente errado. Um dos portais de Phobos foi aberto de forma errada e dele saíram muitos demônios. Tudo que se ouvia eram rosnados, tiros, gritos desesperados e a destruição total. Na tentativa de resgate, a terra enviou a equipe bravo para investigar Phobos, mas a equipe bravo ficou incomunicável. Por garantia, a equipe operante na base em Marte foi enviada a Phobos. Antes de perderem contato, os superiores em Marte ouviram no rádio uma sangrenta batalha. Convencidos de que não restou sobreviventes, a base de Phobos é esquecida.
Mas havia um sobrevivente, Marine!
Horas mais tarde, Marine acorda no hangar de Phobos. A cena ao seu redor é medonha. Seus amigos estão todos mortos, outros foram possuídos por espíritos vindos do inferno. Há muito sangue ao seu redor. Ao seu lado, apenas uma pistola com pouca munição.
Marine decide que não vai morrer agora. Com uma única pistola, ele vai atravessar a base de Phobos e vingar a morte de sua tropa. Mas a situação é muito mais série, os portais continuam abertos e a base da lua Deimos esta flutuando sobre o inferno. Marine deve passar pelas duas bases e chegar até o inferno para destruir o portal, antes que o mesmo leve os demônios para o planeta terra.
Para muitos, a trama de Doom é bastante macabra. E concordo, afinal, um game tão macabro, merece um enredo que faça jus a todo o resto. Uma vez que a maioria dos games da época traziam enredos bastante simples e até mesmo infantis, os jogos que traziam tramas mais obscuras nem sempre traziam jogos que faziam valer o enredo. Doom conseguiu quebrar esse estigma.
Construindo o universo de Doom
Tom Hall queria que o jogo trouxesse uma jogabilidade diferente de Wolf 3D. Já Romero e Carmack achavam que uma jogabilidade diferente poderia desagradar os gamers mais exigentes. Na verdade, o que Romero e Carmack queriam mesmo era investir no visual e no realismo, tais divergências fizeram com que Hall abandonasse a equipe ainda no inicio do desenvolvimento de Doom.
Wolf 3D era um jogo bonito. Mas todas as salas eram exatamente iguais, sem relevos, sem iluminação ou texturas diferenciadas. Acredite, Doom foi o primeiro jogo do estilo a trazer dois andares para serem explorados. A liberdade de exploração que o jogador tinha nas fases de Doom era incrível. Seria um erro grosseiro de minha parte não detalhar as revoluções gráficas de Doom.
Primeiramente, Doom é ambientado em bases militares e laboratórios. As paredes trazem tijolos cinza e metais com encanamentos a vista, tornando o ambiente bastante rústico. Em cenários abertos o céu é muito bem feito. Agora, o quesito que torna as fases medonhas é a iluminação. Em algumas salas as luzes estão mais fortes, em outras estão mais escuras, em outras elas apagam e acendem com freqüência. Imagine você, entrar em uma sala aparentemente vazia e iluminada, do nada, as luzes se apagam e os monstros surgem de todos os lados. A iluminação do ambiente foi fundamental para criar tensão e medo nos jogadores.
A partir do momento que o jogo passa a acontecer em Deimos, você pode-se considerar no inferno. Os cenários começam a tomar formas mais rústicas ainda, você começa a entrar em fortalezas, castelos, campos infestados de sangue e lavas. O céu muda para um vermelho com montanhas ao fundo, dando ao jogador a impressão de que realmente esta no inferno.
Outra grande novidade no jogo são as escadas e elevadores. Existem escadas curtas, longas, estreitas, largas, retas, circulares, enfim. Você sempre fica na dúvida se vai encontrar um monstro ou não. O mesmo acontece com os elevadores, alguns são automáticos, outros já funcionam quando você os ativa com algum botão. O realismo fica ainda maior, pois você se sente na pele do herói e sente o medo do que vai acontecer ao subir uma escada, um elevador ou ao abrir uma porta.
Os monstros também são impressionantes. A equipe de produção criou os monstros a partir de massa e plástico e digitalizou-os para o game. Existe uma boa variedade de monstros. Soldados que tiveram seus corpos tomados por espíritos, demônios que atiram bolas de fogo, touros enormes, caveiras em chamas que aparecem voando na tela e um demônio enorme com uma bazuca no lugar de um dos braços. Este ultimo é o inimigo mais amado (E odiado, também) pelos fãs de Doom.
Sua missão: Detonar geral!
O objetivo de Doom é simples. Você estará sozinho, em uma base infestada de demônios. Os cenários em geral dão ao jogador total liberdade de explorá-los já que existem muitas salas secretas com itens e armas escondidos. Existem muitas portas, algumas abrem ao simples toque de Marine, outras só abrem depois que todos os inimigos de uma sala estiveram mortos, outras só abrem quando se ativa um botão e, finalmente, outras só abrem com uma chave. Geralmente as chaves estão escondidas e quase sempre acompanham uma surpresa para o jogador.
As armas também são excelentes. De inicio, Marine conta apenas com uma pistola, além da pistola existe outras armas, elas são: Escopeta, Metralhadora, bazuca, arma de plasma e canhão de plasma. Se por ventura você ficar sem munição ainda é possível abrir caminho com uma serra elétrica, as formas de matar são muito empolgantes.
Doom se divide em três episódios: Knee Deep in the Dead, The Shores Of Hell e Inferno. Cada episódio conta com 9 fases. Ao fim de cada episódio você perde todas as armas, sendo que no inicio do episódio seguinte é necessário coletá-las novamente. O primeiro episódio é ambientado na base de Phobos, o segundo nos laboratórios de Deimos e no terceiro você terá de enfrentar o inferno… Literalmente!
Além de serem loucos insanos, os criadores de Doom também curtiam um bom metal. A trilha sonora foi baseada em músicas de bandas como Slayer, Pantera e Judas Priest. Os temas lembram aquele velho rock clássico com uma guitarra, um baixo, uma bateria e um teclado para dar o clima ideal.
Algumas músicas são bem rápidas e alucinantes, outras são mais tétricas e tensas. Passando um clima ideal para o jogo. A trilha sonora só não é melhor por que nessa época, os jogos de computador traziam as músicas em formato mid. Imagina o que seria as músicas de Doom em formato mp3 original.
Os efeitos sonoros foram uma também foram revolucionários. Os monstros dão rosnados muito realistas, sempre é uma grande surpresa escutá-los se aproximar ou quando um deles dispara um tiro ou uma bola de fogo. O do disparo das armas também é muito fiel. Bobby Prince é o nome do cara responsável pela grandeza dos sons de Doom.
Violência e Satanismo
Romero e Carmack queriam que tudo fosse extremo. O enredo de demônios já era bastante assustador, bem como a idéia de viajar ao inferno. O que mais faltava? Ora, um pouquinho de sangue cairia bem, não é? Só que Doom traz muito, muito sangue mesmo!
Já na primeira sala da primeira fase você vai ver restos de corpos jogados pelo chão. Na época era algo inédito, não apenas inédito, era macabro! Ninguém estava acostumado com um game tão violento e com a exibição de cadáveres no cenário. Portanto, se hoje você se impressiona com o nível de violência da série Resident Evil, saiba que foi graças a Doom que isso começou a acontecer nos jogos de vídeo game.
Quando você chega ao episódio 3 o jogo alcança o extremo da crueldade. Os demônios enfeitam o seu “lar” com cadáveres pendurados em cordas e expostos nas paredes, alguns corpos estão empalados e ainda agonizando. É realmente incrível como Romero, Carmack e sua equipe botaram suas mentes assassinas para funcionar para dar esse toque especial ao universo de Doom.
Mas a violência não é o único toque macabro de Doom. Afinal, estamos lidando com demônios e nossa viajem vai até o inferno. O que você espera encontrar no inferno? Coelhinhos? Lógico que não!
As fases trazem decorações muito macabras e assustadoras. Existe uma quantidade incrível de simbologia escondida neste game. Muitos dos caçadores de mensagens subliminares passaram pele menos horas procurando por tais símbolos. Alguns deles são bem explícitos: Quadros com faces demoníacas, portas com símbolos, as chaves em formato de caveira, um céu vermelho de dar arrepios.
E curiosamente, existe uma sala na fase 4 do episódio 1 onde as paredes do centro formam o símbolo do nazismo.
Com tantas inovações gráficas e sonoras, um enredo bem construído e aterrorizante, Doom se tornou um sucesso, mas ao mesmo tempo se tornou um game polêmico devido ao nível de violência e satanismo. Mas ainda não é hora de falarmos da parte polêmica, pois esta parte merece um destaque muito especial na nossa matéria.
E aqui terminamos a segunda parte do nosso especial. Na terceira parte veremos sobre Doom II: Hell on Earth, a continuação desta tenebrosa jornada.
Texto escrito por: Lipe Vasconcelos



