Antes de começar essa análise, devo dizer que eu a escrevi de maneira diferente da que eu custumo escrever e por isso nem introdução eu fiz. Mas só pra lembrar: a Tec Toy lançou uma versão em português desse jogo.

Informações:

Shining in the Darkness

Console: Sega Mega Drive

Lançamento:1991

Produtora: Sonic Co! (Sega)/ Climax

História:

A princesa Jessa do reino de Thornwood acaba desaparecendo. Tropas sob o comando de Vyrun tentam encontrar pistas sobre o paradeiro da princesa, mas o esforço acaba sendo em vão.As únicas pistas sobre a princesa é que ela estaria nos arredores do Labirinto da Cidade. Surge entãoo filho do espadachim Mortred- (vamos chamá-lo de Herói, já que ele não tem nome), que pede para liderar as buscas da princesa, já que no momento de seu desaparecimento ela estava acompanhada de seu pai (ele também acabou desaparecendo, o que seria um incentivo para que o Herói encontrasse a princesa, já que encontrando a princesa ele provavelmente encontraria seu pai…). Quando ele se preparava para iniciar as buscas, surge o feiticeiro Dark Sol que revela ter raptado a princesa e só a soltaria se o rei entregasse o trono a ele. O herói segue então para o imenso labirinto da cidade, que seria o esconderijo de Dark Sol e o possível paradeiro da princesa.

Gráficos:

Eu diria que os gráficos do jogo são adequados: nada de muito elaborado, pois o jogo não exige muito uma estrutura gráfica muito complexa. Os desenhos dos personagens são no estilo mangá, com cores bem definidas e etc. Já em relação ao labirinto, a variação de layout é pequena, mas seria no mínimo estranho ter uma grande variação de cenários, já que o jogo se passa em um único labirinto.

Som:

O jogo apresenta poucas músicas, sendo que em 80% do tempo que você fica no labirinto, a música será a mesma. Apesar disso ela não é enjoativa. Já em relação aos efeitos sonoros, boa parte deles foram reaproveitados nos jogos seguintes (Shining Force I e II).

Sistema de jogo:

O sistema do jogo é bem interessante e diferente da maioria dos RPG’s: ele é inteiro em primeira pessoa e em nenhum momento você vê o rosto do protagonista. Existem basicamente três ambientes diferentes no jogo, que são mostrados no mapa principal do jogo: O castelo, a cidade e o labirinto. No castelo você conversa com os seguidores do rei e e lá que a história se desenvolve. Na cidade, você pode entrar em um dos vários ambientes possíveis:

Taverna: Lá você fica sabendo das últimas fofocas, além de restaurar sua energia ao passar a noite.

Shrine (Templo): São as famosas igrejas. Assim como no primeiro Phantasy Star e nos jogos da série Shining Force você pode recuperar o status dos personagens, revivê-los (caso eles tenham morrido) e saber quantos pontos de experiência faltam para que os personagens subam de nível.

Lojas: Permite a compra/venda/trocas de itens variados como armas, armaduras, ervas (…) Dispensa maiores expliacações.

O Labirinto:

Ao contrário de muitos outros RPGs, a ação nesse jogo se passa em um único labirinto. E labirinto faz jus ao nome: ele é gigantesco e se perder é algo fácil. Pra piorar no começo do jogo os inimigos já vem aos montes e arrancam boa parte de sua energia num piscar de olhos. Pra facilitar um pouco as coisas, a Sega tirou o game over do jogo: se morreu, você volta pra igreja, mas perde metade do dinheiro recolhido (se a Sega tivesse mantido o Game Over, eu diria que o começo desse jogo seria mais traumático do que o começo do Phantasy Star do Master System). Pra evitar essa perda de dinheiro é altamente recomendável comprar um Angel Feather, item que te tira do labirinto e que custa razoavelmente barato (24 moedas de ouro). Outra alternativa é usar a magia Egress, que te leva de volta pra cidade.

Dificuldade Soluçante:

Logo no início do jogo, ao adentrar no labirinto, me lembrei do primeiro Phantasy Star. Pensei: “Bem, esse labirinto não deve ser muito longo, deve ser mais uma caverninha”. Engano meu… O labirinto desse jogo é mais traumático que os labirintos intermináveis da torre de Baya Malay. Aqui basta uma pequena distração e pronto! Você está perdido. E o pior, os inimigos surgem as pencas, em grupos de três, chegando a até oito ao mesmo tempo, lembrando que você está equipado com uma espadinha vagabunda e sozinho. Morrer é a única opção pra sair do labirinto, pois a opção de fuga é extremamente ineficaz.

Quando você está bem equipado (tanto em relação ao ataque quanto em relação a defesa), aí sim você diz: “Esse jogo não é tão difícil quanto parece! Os inimigos tiram dois ou três pontos de HP do meu personagem”. É aí que surge o primeiro chefe, que te bota no seu devido lugar: dois ou três ataques dele dizimam seu personagem e pronto. Assim, simples. Você volta lá, e o chefe te dá outra surra homérica. Novamente você apanha (bastante) pra entender uma coisa: pra vencer os chefes, é necessário sorte- nesse primeiro chefe, se você não soltar um Critical Hit (ou se preferir economizar uma dinherama pra comprar uns equipamentos de ponta), não vencerá nunca. Finalmente você consegue vencer, sai do labirinto e dois personagens entram no seu time. Você entra no labirinto procurando uns inimigos bem fraquinhos pra aumentar o level de seus personagens. Aí, aproveitando você comprar uns equipamentos decentes pra todos os seus personagens. “Agora sim estou podendo. Os inimigos mais fortes tiram no máximo 5 de HP da minha personagem menos resistente. Não há o que temer!” Então no nível mais dificil do labirinto, você detona os novos inimigos como se fossem moscas e de quebra encontra os famosos baus do tesouro. Você abre e sai um monstrinho bonitinho demais pra ser forte. E sim, como ele é forte! Ele faz você suar pra vencer, e nem chefe ele é. E pode se preparar, pois no trecho final do labirinto (depois de enfrentar as quatro “provas” (trials) os inimigos tiram muita energia de você exigindo que você entre e saia da caverna repetidas vezes para avançar um pequeno trecho e evitar de se perder. Outra coisa também: se algum de seus personagens morrer saia imediatamente do labirinto, pois a chance de ter seu grupo dizimado é grande.

Mais e mais batalhas:

As batalhas são simples, suas ações são definidas através de ícones, sendo que somente o primeiro personagem do grupo pode fugir- os outros dois só podem defender. Não é necessária muitas explicações, já que o jogo segue o esquema clássico dos RPG’s de turno. Apesar disso uma coisa deve ser mencionada: as batalhas são aleatórias (os inimigos surgem “do nada”, com raras excessões) e ocorrem em número acentuado. As vezes ao sair de uma batalha basta dar um passo pra entrar em outra, o que acaba irritando os jogadores menos pacientes (o que acabou sendo o meu caso, que acabei levando meses tanto pra chegar na parte final do jogo, quanto para fazer essa análise…).

Personagens:

Não existe uma variedade muito grande de personagens durante o jogo, existem três fixos e ainda um outro que pode te auxiliar aleatoriamente durante uma batalha.

Personagem principal (Herói): É o personagem de maior HP, melhor ataque e melhor defesa. Pode equipar itens poderossíssimos, mas é o mais lento dos três e é o único que não pode usar magias.

Milo: Tem a função de curandeiro além de ter um bom poder de ataque. Suas magias e seus efeitos:

Heal (4 levels)- Recupera uma certa quantia de HP de um personagem

Vision (1 level)- Verifica as propriedades de um determinado item/equipamento

Detox – No nível 1 cura envenenamento (poison) e no nível 2 cura paralisia.

Revive (2 levels)- Obviamente, revive seu personagem

Blast (4 levels)- Cria uma explosão causando danos em seu(s) oponente(s)

Burst (4 levels)- Cria pequenas explosões, mais fracas que a da magia Blast

Quick (2 levels)- Aumenta a defesa e a velocidade de um aliado.

Screen (2 levels)- Impede que seus inimigos usem a magia. Não é 100% eficaz.

Desoul (2 levels)- Mata instantaneamente um oponente. Não é 100% eficaz.

Pyra: Tem um HP relativamente baixo, e não pode equipar itens muito poderosas (em relação ao personagem principal e Milo). Em compensação pode equipar um chicote, que apesar de não ser muito poderoso é extremamente útil para enfrentar grupos muito grandes de inimigos. Suas magias são essenciais para avançar no jogo.

View- Mostra um pequeno mapa do trecho do labirinto aonde você já tenha passado.

Heal (2 levels)- Recupera uma porção de HP de um personagem

Egress- Abandona o labirinto, voltando em segurança para o mapa do jogo

Peace- Repele os monstros por um determinado espaço de tempo. Não funciona em locais em que os monstros tenham um nível elevado em relação aos dos seus personagens.

Slow (2 levels)- Reduz a velocidade e a defesa de seus oponentes.

Blaze (4 levels)- Ataque com o elemento fogo

Sleep (2 levels)- Põe os inimigos para dormir

Freeze (4 levels)- Ataque com o elemento gelo

Bolt (4 levels)- Ataque elétrico

Muddle (2 levels)- Reduz o campo de visão dos inimigos.

Boost (2 levels)- Aumenta a velocidade e o poder de ataque de um personagem

Concluindo:

Se alguém me perguntasse: “Você me recomenda esse jogo?”, eu responderia: “Não sei…”. Este jogo é muito diferente da maioria dos RPG’s que eu conheço, mesmo tendo o esquema básico de turnos e tal, eu ainda acho que ele é diferente demais. Está muito longe do Phantasy Star IV, ou do Shining Force 2 e o fato do jogo não ter uma grande variação de ambientes e de ficar numa única cidade pode acabar tornando o jogo enjoativo para alguns.

Então com base nos meus comentários alguém poderia me perguntar: “Então, pelos seus comentários, você achou o jogo ruim?” Não, eu não achei esse jogo ruim. Eu achei que no início o jogo é um pouco manhoso, mas com o tempo você vai se acostumando, e o caso, é que eu escrevi a análise enquanto jogava, demonstrando as minhas sensações imediatas em relação ao jogo. Não alterei muita coisa nela, por que achei que isso tornaria minha análise mais honesta, apesar de contraditória. É um RPG bem simples, bem básico e sem muito lero-lero, mas por isso eu gostei dele.

Pra finalizar essa análise, eu diria que esse jogo, como dizia a antiga Ação Games “é um jogo simpático”. Vale a pena dar uma olhada…