Castlevania 64 – A Ovelha negra da série!
Autor: lipe_vasconcelos - 24/10/08 à 18:21 - 13 ComentáriosInformações gerais
Ano de lançamento: 1999.
Plataforma: Nintendo 64.
Fabricante: Konami.
Gênero: Ação.
Número de jogadores: 1.
A batalha chega ao Nintendo 64
Em 22 anos, a saga Castlevania se aventurou apenas 4 vezes pelo universo dos games em terceira dimensão, duas dessas conversões foram consideradas um desastre e outras duas… Bom, em minha sincera opinião, muito fracas. A grande maioria dos fãs consideraram Lamment Of Inocence e Curse Of Darknesse (Ambos lançados para Playstation 2) jogos muito bons, já eu, realmente não consegui sequer me viciar nestes dois games. Então falaremos aqui da primeira aventura dos Belmont no universo 3D. Castlevania 64, lançado em 1999 para o Nintendo 64.
Castlevania 64 pode ser chamado de “ovelha negra” da franquia, pois de cada 10 fãs pelo menos 9 vão afirmar que Castlevania 64 não merece nem mesmo ser considerado um game da saga. Acho que Castlevania 64 é um game muito injustiçado, mesmo com algumas pequenas falhas é um dos meus games favoritos da saga dos Belmont, foi também o primeiro game da série Castlevania que joguei.
Uma coisa é certa, seja por sucesso ou fracasso, Castlevania 64 ficou marcado na história dos games por ter sido a primeira tentativa de levar Castlevania ao universo 3D. Tentativa que eu não considero falha.
Uma nova dupla e um novo castelo
A Transylvania não é mais segura. A cada noite mais pessoas desaparecem, os moradores então ficam cada vez mais amedrontados, pois no topo da colina esta um grande castelo que pertenceu ao malvado conde Drácula. Para investigar o desaparecimento dessas pessoas entram em cena Reinhard Schneider (Que apesar de não carregar o nome Belmont é descendente da família) e uma garotinha chamada Carrie Fernandez.
Assim como todos os outros Belmont que já viveram neste mundo, Reinhard tem a missão de ser o próximo herói a destruir Senhor do Sangue, enquanto a jovem Carrie parte para o castelo para vingar a morte de sua família. Dois heróis, duas motivações, um castelo e um inimigo em comum. Começa mais uma tenebrosa jornada no interior do castelo mais temido até mesmo pelos mais corajosos dos heróis.
Inicialmente, o game segue uma linha parecida para ambos os personagens, mas depois do estágio 3 cada um segue um caminho e uma história diferente. A idéia de um destino distinto para cada herói faz com que Castlevania 64 fique mais interessante, sendo que para cada personagem a dois finais diferentes para ser visto.
Reinhard, sendo um membro do clã Belmont usa o seu chicote sagrado como arma principal, enquanto Carrie usa bolas de energia, se você segurar o botão de ataque Carrie vai concentrar a energia e lançar bolas mais poderosas. Ao longo das fases você pode pegar dois Upgrades para a arma principal de cada um. Para Reinhard, o primeiro Upgrade deixa o chicote mais longo, o segundo deixa o chicote mais pesado e mais forte. Para Carrie, o primeiro Upgrade deixa a magia mais resistente, de modo que você pode destruir os inimigos com mais rapidez, o segundo faz com que a bola de energia persiga o inimigo, ou seja, se houver um esqueleto atrás de você a bola de energia vai destruí-lo, a bola de energia ainda pode destruir até três inimigos de uma só vez. Reinhard e Carrie ainda contam com uma segunda arma, Reinhard carrega uma espada e Carrie um par da argolas. No caminho há as clássicas armas sagradas (Faca, machado, cruz e Água benta), para usar as armas sagradas você usa os cristais que podem ser coletados no decorrer das fases.
Seu segundo inimigo… O tempo!
Castlevania 64 herdou uma bela característica do game Castlevania II: Simon´s Quest (Nintendo). Amanhecer e anoitecer. E esse recurso não foi colocado com o simples intuito de divertir. Ao apertar a tecla Start você verá um relógio que mostra a hora exata do dia. Fazer o melhor final do jogo depende muito de quantos dias você levará até achar o Conde Drácula. Por isso, se você for um jogador novato e tiver esperanças de fazer o melhor final logo de primeira, bom, isso só vai ser possível com um detonado, o que pode tirar toda a graça do game.
O dia e a noite influenciam bastante ao longo do game. Às vezes você precisa pegar uma chave com determinado personagem que estará em uma sala as 6:00 da manhã, ou então um chefe pode ficar mais poderoso se for enfrentado de noite e portas que só abrem durante o dia e outras que abrem durante a noite. O jogador pode ter controle sobre o dia e a noite com cartões. O Sun Card faz com que amanheça e o Moon Card faz com que anoiteça, mas lembre-se, cada vez que acelera esse processo vai ser um dia perdido.
Caminhos exclusivos e supresas
Como já dito acima, vale muito a pena que você termine o jogo com ambos os personagens, depois do estágio três começam a surgir fases exclusivas para cada personagem. Com Reinhard você pode visitar as cavernas, a torre de duelos, e a torre de execução, enquanto Carrie segue para os esgotos, a torre da ciência, e a torre dos tesouros.
Além dos caminhos alternativos você também terá encontros interessantes dentro do castelo. O estranho garotinho chamado Malus, Vicent, um caçador de vampiros; Rosa, uma misteriosa mulher que cuida dos jardins do castelo; Reno, um demônio que vende valiosos itens e mais uma horda de vampiros. Sim, neste game Drácula deixa de ser o único vampiro do castelo.
Parte técnica
Os gráficos ficaram parcialmente bons. Castlevania 64 ganha uma ambientação muito boa, ao que parece, foi inspirada no game Tomb Raider. A Konami conseguiu recriar o castelo do Conde Drácula de uma forma bem bonita. As florestas, as cavernas, os salões internos do castelo e até mesmo a clássica escadaria que antecede o combate final contra Drácula ficaram muito legais, só acho que a clássica Torre do Relógio poderia ter sido mais bem feita.
Durante todo o game é notável a presença de uma nevoa que estraga uma ambientação que deveria ser perfeita. Mesmo nos ambientes fechados a nevoa marca presença.
Reinhard e Carrie ficaram com um acabamento muito estranho, digamos assim, seus desenhos ficaram quadrados demais, já os inimigos ficaram bem interessantes. Destaques para o fato de que há uma pequena apresentação para cada novo monstro encontrado como se fosse um pequeno filme. Velhas criaturas de outros games da série dão as caras nesta conversão. Os clássicos esqueletos que surgem saindo do chão, os homens peixes, as clássicas cabeças de medusa (Que tem uma participação quase que zero no game, mas pelo menos a Konami lembrou que elas existem), e a aparição do chefão mais clássico da série, a Dona Morte. O Drácula sem sua forma final também ficou muito bem feito.
Curiosidade: Mesmo gostando muito deste jogo é preciso citar uma das gafes mais ridículas que eu já vi em um jogo de vídeo game. Imagine só, um game ambientado num castelo da idade média e em um corredor sombrio você dá de cara com um… Esqueleto de motocicleta? Isso mesmo, estes esqueletos costumam aparecer com freqüência no game. Provavelmente a Konami esqueceu de citar que o Dr. Emmet Brown e seu DeLorean fazem uma participação especial no game e levam algumas motocicletas para os exercitos do Conde Drácula dar um passeio pelas florestas. Errou feio, Konami!
Os efeitos sonoros estão muito bons, existem vozes em alguns momentos. O chicote ganhou um som bem suave aqui, o som das magias de Carrie também estão ótimos. A trilha sonora é bem suave e tensa. A música da segunda fase é uma das melhores do jogo todo, infelizmente faltou um volume mais respeitável para se curtir a trilha desse jogo. A música da tela de inicio é uma das mais lindas que já ouvi em um game da saga Castlevania.
Agora, o que realmente mata este game!
Este quesito não mata apenas Castlevania 64, mas sim, muitos games e em especial muitos games que foram feitos para o Nintendo 64. As cameras.
Nas primeiras fases este problema não chega a ser um grande incomodo, mas se torna uma fonte de irritação constante mais pra perto do fim do game. Na Torre de Execução e na Torra de Cristal você precisa saltar por muitas plataformas e as cameras atrapalham demais nesses momentos de modo que você chega a cair várias vezes devida as mudanças inesperadas na visão de jogo. Por conta deste fator muitos fãs passaram a desprezar Castlevania 64 e com tempo até mesmo as revistas especializadas detonaram o jogo. Mas não da pra negar as camêras realmente ajudam a estragar este jogo.
Castlevania 64 traz uma dificuldade mediana. Apesar das cameras atrapalharem você nunca vai poder dizer que não terminou o jogo por que as cameras dificultaram. Os chefes não apresentam grande dificuldade, nem mesmo a Morte esta tão difícil como nos games anteriores. O que pode deixar Castlevania 64 trabalhoso são as fases onde você precisa resolver alguns mistérios e achar chaves para abrir determinadas portas. Porém, o Drácula deste jogo esta entre os mais difíceis de toda a franquia.
Péssima conversão? Nem tanto!
Castlevania 64 ficou dois anos em fase de desenvolvimento, é preciso concordar que tanto tempo em de desenvolvimento poderia ter tido um melhor resultado. Apesar da nevoa, as cameras e os esqueletos motoqueiros, Castlevania 64 é um bom game. Eu já passei boas horas me divertindo com este jogo. Não acho correto dizer que esta é uma conversão 100% fracassada, é claro que na sua conversão perdeu um pouco do velho charme da série, mas manteve a alma do que um game da saga Castlevania deve ter.
No mesmo ano saiu também para o Nintendo 64 Castlevania: Legacy Of Darkness, o segundo game
talvez tenha sido até mais fracassado que o primeiro, devido as fatores de que o personagem principal não é um Belmont, e sim um lobisomem, e que este é praticamente o mesmo velho Castlevania 64, só que com uma extensão nas fases e a adição de algumas novas, o ponto bom é que neste você tem um controle nas cameras e o faz ser divertido. Eu recomendo que qualquer fã da saga Castlevania tenha a paciência de terminar Castlevania 64 pelo menos uma vez para ter uma opinião 100% formada. Até ouso a fazer uma pequena comparação. Pois enquanto Castlevania 64 traz cameras ruins, traz também ambientes bem diversificados, enquanto os Castlevanias para Playstation 2 dão sono de tantas salas iguais. Sinceramente, prefiro jogar as conversões do Nintendo 64 do que dormir jorgando Lament Of Inocence e Curse Of Darkness.





